O HR Survey da Stanton Chase 2024, que decorreu no primeiro trimestre deste ano, revelou notícias preocupantes para o mercado português.
O estudo visa contribuir para um maior conhecimento sobre a realidade portuguesa, bem como analisar as preocupações dos líderes e gestores empresariais numa perspetiva corporativa, mas também pessoal.
O RH Survey 2024, que contou com a participação de mais de três centenas de profissionais de RH, expôs que os executivos portugueses manifestam uma visão menos positiva sobre a evolução da economia e dos negócios das suas empresas, em comparação aos anos de 2022 e 2023.
De acordo com o estudo, ocorreu uma ligeira redução do otimismo dos respondentes sobre a evolução do seu setor de atividade. Embora 80,4% dos inquiridos se mostrem otimistas (respostas de crescimento forte ou moderado) em relação à evolução do seu setor nos próximos dois anos, a verdade, é que este valor representa um decréscimo de 5,35% em relação ao ano 2023 e 3,35% em relação ao ano de 2022. Adicionalmente, os resultados também apontam que 12,9% consideram que irá ocorrer uma estagnação e 6,2% uma retração moderada, o que se compara respetivamente com os 8,2% e 5,1% obtidos no ano de 2023.
Em relação à evolução do negócio das próprias empresas para os próximos dois anos é consideravelmente mais negativo este ano do que aquele que existia em 2023. A análise dos dados revela uma mudança significativa no sentimento em relação à evolução económica. De facto, se em 2023 existiram 72,5% respostas positivas (“muitos otimistas” (6,1%) e “otimistas” (66,4%)) e apenas 21,4% de respostas neutras. Agora, as respostas neutras cresceram para 64,2% e as respostas positivas reduziram para 29,6%. Estes números parecem indicar um sentimento de dúvida sobre a evolução da economia nos próximos dois anos.
Nas maiores dificuldades sentidas pelos gestores RH existe sintonia entre os resultados de 2023 e 2024. As áreas onde parecem existir mais problemas são a atração e recrutamento do talento adequado (67,7% em 2024 face a 74,4% em (2023), o espírito de equipa, comunicação interna e compromisso das pessoas (41,6% em 2024 face a 33,7% em 2023) e a retenção das pessoas chave (38,7% em 2024 face a 40,7% em 2023). É de realçar ainda um aumento relevante da importância dada aos processos de transformação digital (29,9%), Criação de métricas / HR Analytics (15,2%), Processos de Gestão RH (15,2%).
Já no que se refere aos principais desafios futuros, persiste uma continuidade em relação aos anos anteriores. Os resultados apontam para a escassez de talentos em determinadas áreas (68,9%) com maior percentagem pelo 3º ano consecutivo; a entrada de novas gerações e a inerente mudança cultural (47,2%) e a emergência de novos modelos de trabalho, baseados na flexibilidade e na conectividade tecnológica (41,3%).
O RH Survey 2024 revelou que as principais áreas da gestão de RH nas quais as empresas se irão focar nos próximos anos parecem ser gestão de carreiras e retenção de talentos (58,9%); desenvolvimento de competências (45,5%); atração e recrutamento (36,4%). É de realçar que a importância dada à atração e recrutamento passou de segunda posição em 2023 para terceira em 2024 (atrás de desenvolvimento de competências), o que poderá indiciar que as empresas estão mais preocupadas com o desenvolvimento de competências e a retenção de talentos internos. É de realçar também a valorização significativa do processo de transformação digital que passou de 10,5% em 2023 para 24.6%.
O estudo Stanton Chase Portugal concluiu ainda que os gestores RH revelam uma ligeira redução na avaliação de Portugal enquanto país para trabalhar, que é acompanhada de uma alteração significativa dos principais fatores de atratividade de Portugal para profissionais qualificados. De facto, enquanto em 2023 os principais fatores eram o ambiente cada vez mais multinacional (54,7%), a hospitalidade do povo português (45,7%) e qualidade da oferta académica (37,2%), em 2024 são a segurança do país (79,5%), a qualidade de vida (57,2%) e a hospitalidade do povo português (54%). De realçar que o fator relativo ao nível salarial praticado passou de 11,6% 2023 para 2,6% em 2024.